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domingo, 13 de Setembro de 2009

Só vou por onde me levam os meus próprios passos!!


"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!


José Régio

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quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

Aprender a ser menos...

"Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável, almejo o quase impossível. Sou qualquer coisa que ainda não inventaram, um produto que escapou da série, uma combinação de opostos que se harmonizam sei lá como ou por quê. O meu coração é livre, mesmo amando tanto. A minha alma compõe-se de sorrisos largos e dores agudas.Tenho um ritmo que me complica, uma vontade que não passa, uma palavra que nunca dorme, viajo de extremo a extremo em segundos e a intensidade explode dentro de mim a todo o instante. Queres um bom desafio? Experimenta gostar de mim. Não sou fácil, não colecciono inimigos. Quase nunca estou para ninguém, mudo de humor conforme a lua. Irrito-me facilmente, desinteresso-me à toa, sou a pessoa mais doce que tu já viste. Tenho o desassossego dentro de mim. E um par de asas que nunca deixo. Sou um pouco de tudo o que vejo e muito do que nunca vi. Vivo numa busca incessante pelas coisas e pessoas que ainda não encontrei, para tentar aliviar a saudade que sinto de tudo aquilo que desconheço. Sou alguma coisa entre o sol e a lua. Nem dia, nem noite: um fim de tarde! Caminho por entre cores e brilhos que não entendo, mudo de tom todos os dias. Ando como quem perde o norte, procuro como quem foge, do mundo, dos outros, de si... Não sei de quantas palavras me faço, nem sei em que versos me acabo. Sou aquilo que preciso ser, quando aquilo que eu quero ser já não me cabe mais... As vezes perco sonhos e choro, logo eu, que amo sorrir!! Mas o que é mesmo bonito é essa coisa da vida, um dia quando menos se espera, superamo-nos. E chega mais perto de sermos, quem na verdade somos.
“Há uma infinidade de palavras que se perdem entre os meus pensamentos, frustradas por não conseguirem, neste instante, descrever o que sinto, o que penso.”
Até que ponto vale à pena ser intensa? Eu preciso de aprender a ser menos, menos dramática, menos exagerada, menos intensa... Penso tanto, planeio tanto, sonho tanto, questiono-me tanto que fico tonta. E, por mais que eu pense, planeie, sonhe, questione-me, nem tudo sai exactamente da maneira que eu gostaria. Então, penso o quanto é importante, às vezes, puxarmos o freio com a mão. Por favor, bloqueia-me o coração, cala-me o pensamento, dá-me uma droga forte para tranquilizar a minha alma. Porque eu preciso muito, eu preciso diminuir o ritmo, baixar o volume, andar na velocidade permitida, engatar a primeira, não atropelar quem chega, não tropeçar em mim mesma. Carrega-me no pause, deixa-me em stand by, eu não dou conta do meu coração que quer muito... eu preciso sentir menos, sonhar menos, sofrer menos ainda, parar de pesar, de comparar, de projectar. Simplesmente parar e deixar que seja a vida a levar-me. São muitos os caminhos mas, sem querer, certamente escolheremos o certo, por mais que não nos pareça. Portanto, aqui estou. Apenas deixando o barco correr, a onda, a música me conduzirem... Nem sempre podemos assumir a direcção dos factos que acontecem no nosso percurso. Acidentes, desvios, capotagens são inevitáveis. Mas servem-nos para voltar à pista sem medo da derrota. E sem a preocupação da vitória. Simplesmente, com o anseio de chegarmos inteiros. E assim, retomando a vida, levantando dos tombos, cicatrizando as feridas. Agora, de uma maneira diferente. Mais adulta, mais madura. Porém, menos... Intensa."
“Sou apenas de tipo inesquecível, apesar de as vezes me achar uma porcaria. Sou como tu me vês, posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como me vês passar. E tu podes ver-me da forma que quiseres, que eu não vou fazer nenhum esforço para te contrariar."
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segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Ana....

Lembras-te de criticar os teus sapatos????



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segunda-feira, 22 de Junho de 2009

O Tempo!

Confesso que isto da formação começa a fartar-me, é um facto que tenho a praia a uns metros do hotel, e que sair da formação e dar um passeio a pé à beira mar é uma delicia, e que o cheiro do mar me acalma e que a minha pele delicia-se com o sol da tardinha, mas hoje não, hoje estou deprimida, apetece-me a minha casa, a minha cama, apetece-me comida feita em casa, apetece-me cheirar o cheiro da serra e ver as pessoas de todos os dias.

Quando depois do banho do fim da tarde, desci sozinha para tomar café, tive vontade de voltar atrás, aqueles anos em que ainda fumava e ficar ali, sentada nas escadas do hotel, a fumar um cigarro, enquanto falava do tempo com um desconhecido qualquer.
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terça-feira, 2 de Junho de 2009

ESTÁ QUASE!!!!!
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quinta-feira, 16 de Abril de 2009

O Dom Feminino


"As mulheres aprendem a observar nos outros aquilo a que mais tarde chamam intuição. É uma qualidade quase exclusiva do foro feminino e é por isso que os homens que também a possuem chegam mais longe. A essa capacidade de antecipar a realidade, de ler no olhar uma subtileza, de interpretar a vontade e o medo nas batidas de um coração, os homens chamam-lhe instinto, as mulheres, intuição.É a intuição que diz a uma mulher que está a gerar uma criança mesmo antes de fazer o teste da gravidez, que indica os caminhos do coração quando a dúvida se instala, que lhe diz quando deve lutar por um homem ou desistir dele. É uma espécie de mapa interior, de guia invisível, de alarme adiantado à inevitabilidade da vida. A estes sinais, dados pelo acaso, por um centésimo de segundo de silêncio ou na troca furtiva de um olhar, é preciso interpretar o que sente e a partir daí perceber o que pode acontecer.Nunca acreditei em bruxas nem adivinhos, prefiro lê-los nas histórias do que vê-los ao vivo a deitar cartas ou a atirar búzios ao ar, até porque acredito que o futuro é bom exactamente pelo desconhecido que guarda, mas já acertei demasiadas vezes nas previsões que fiz para poder desconsiderar a minha intuição.O lado mau da involuntária omnisciência é conseguir cada vez menos que a vida me surpreenda, o que faz com que assista, quase de braços cruzados, a mudanças que não quero e nem sempre consigo aceitar. O lado bom é a antecipação de uma nova realidade e o tempo de preparação para enfrentar a tempestade que se avizinha, como fazem os habitantes das cidades por onde passam os furacões, trancando com tábuas a casa e o coração e esperando que passe depressa e provocando os mínimos danos possíveis.Vejo a intuição como um atributo da alma, um dom guardado entre o coração e a cabeça, para lá da inteligência e da razão. Uma espécie de voz acima da realidade, como um balão a gás quente que consegue ver mais longe do que o olhar alcança, um código de barras que se descodifica a ele próprio, um telescópio da anatomia dos sentimentos, porque tem muito mais a ver com o que se sente do que com o que se pensa, com o que se imagina do que com o que se vê, com o que se teme do que com o que se deseja, sentindo como certo aquilo que o entendimento ainda não captou.E é por isso que, quando o alarme começa a tocar, primeiro baixinho em tom de aviso, e depois, cada vez mais alto até me ensurdecer com a evidência que se aproxima, respiro fundo para ganhar forças e lembro-me que o futuro não é mais do que a projecção das sombras do meu passado, um lugar cómodo para arrumar os sonhos, no qual a imprevisibilidade e o mistério reinam e onde, talvez e apenas aí, a intuição descanse da sua sabedoria. Prefiro ter o dom da intuição a esperar placidamente pelo desconhecido, mesmo quando o desconhecido me traz todos os sonhos numa bandeja."

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domingo, 14 de Dezembro de 2008

Porque há corações que nos pertencem!


Quando alguém nos acorda de madrugada, nos pergunta onde estamos, e quando dizemos que estamos em casa dos nossos pais e já na cama, nos pede para vir à rua porque está estacionado mesmo ali atrás do nosso carro, e quando a única coisa que nos ocorre dizer é se podemos ir de pijama, e se percorre a casa às escuras e a correr e se sai pela porta da garagem para não acordar ninguém, e nos leva a um lugar maravilho, assim bem alto onde se vê uma paisagem perfeita, e esse alguém nos diz, que aquela quinta é dele, e nos pergunta se remodelar a pequenina casa em pedra que lá se encontra se somos capaz de morar lá com ele e quando do fundo do coração dizemos ao ouvido, que não pode haver outro lugar tão perfeito para nós, e quando sentimos que ao lado daquela pessoa a vida é extraordinária e todos os lugares são perfeitos, e quando dentro dum carro em pijama e à porta de casa ao lado de alguém minuciosamente vestido e perfumado, sentimos que aquele é um dos momentos mais especiais da nossa vida, isso quer dizer que encontrámos o amor, aquele amor dos contos de fadas, dos romances e das novelas, aquele amor que nos faz sentir as pessoas mais afortunadas do mundo, quer, não quer?

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